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INTELIGÊNCIA COLETIVA
A origem desse tipo de inteligência está associada a uma questão fundamental na natureza: como se explica que as ações simples de cada indivíduo resultem no comportamento complexo do grupo? Como centenas de abelhas fazem para tomar uma decisão crucial a respeito da colméia quando muitas delas estão em desacordo?
As habilidades coletivas desses animais parecem milagrosas até mesmo para os biólogos que dedicam a vida a estudá-los. Durante as últimas décadas, porém, eles vêm acumulando uma série de descobertas intrigantes sobre o assunto.
Um elemento crucial em um formigueiro, por exemplo, é o fato de que ninguém está no comando. Não há nenhum general à frente das formigas. Não há gerentes controlando as operárias. Quanto à abelha-rainha, sua única função é pôr ovos. Mesmo com meio milhão de formigas, uma colônia funciona perfeitamente sem nenhum sistema de controle (pelo menos até agora nada foi identificado nesse sentido).
O funcionamento da colônia está baseado em incontáveis interações entre as formigas individuais, cada qual seguindo regras práticas muito simples. Os cientistas descrevem esses sistemas como sendo auto-organizados.
Quando se trata de inteligência de enxame, as formigas não são os únicos insetos que têm algo útil a nos ensinar. Investigando uma colméia, pesquisadores constataram uma extraordinária capacidade das abelhas para tomar boas decisões. Elas aperfeiçoaram maneiras de resolver as diferenças de opinião entre os indivíduos em benefício da colônia. Se as pessoas fizessem o mesmo evitariam muitos desgastes associados à tomada de decisões que afetam nossa vida.
As regras usadas pelas abelhas para chegar a uma decisão são: buscar várias opções, estimular a livre competição entre as idéias e recorrer a um mecanismo eficaz para restringir as escolhas. Essas regras podem servir como exemplo para o ser humano seguir e adotar. Se adotassem os mesmos comportamentos das abelhas, as pessoas não chegariam a uma reunião já com uma opinião formada, ouviriam as opiniões dos outros, avaliariam todas as possibilidades, trocariam idéias e, em seguida, fariam uma votação secreta. Isso é exatamente o que fazem as abelhas do enxame, selecionam as melhores idéias ou as melhores soluções. Por essa razão, 99% das colméias progridem, isto é, crescem e alcançam o “sucesso”.
A natureza nos apresenta outros exemplos interessantes. Os animais deslocam-se em grupos, pois assim tomam as decisões mais acertadas do que se estivessem dispersos e sós. No bando, no cardume ou na manada, cada indivíduo está mais protegido, pois aumentam suas chances de um dos integrantes do grupo detectar um predador, encontrar comida ou indicar a rota de migração. Para esses animais, coordenar seus movimentos uns com os outros pode ser uma questão de vida e morte.
Quando um predador ataca um cardume, os peixes são capazes de se dispersar seguindo padrões que tornam quase impossível a perseguição de um peixe especifico.
Exemplos de inteligência coletiva estão ocorrendo na internet. Um deles é a maneira como o Google usa a inteligência de grupo para encontrar o que procuramos. Quando digitamos algo na página do Google, o motor de busca vasculha bilhões de páginas da web nos índices de seus servidores a fim de localizar as mais pertinentes. Em seguida, ele as classifica de acordo com a quantidade de outras páginas que estão vinculadas a elas, considerando tais remissões como se fossem votos (os sites mais populares recebem votos especiais, pois provavelmente sua confiabilidade é maior). As páginas que recebem mais votos são listadas em primeiro lugar nos resultados da busca. Dessa maneira, segundo o Google, a inteligência coletiva da web é usada para determinar a importância da página.
A Internet tornou possível a uma enorme quantidade de pessoas pensarem conjuntamente como jamais seria possível há alguns anos.
Há uma importante verdade a respeito da inteligência coletiva: as multidões tendem a ser sábias apenas quando seus membros (individualmente) agem com responsabilidade e tomam suas próprias decisões com base no interesse do grupo. Não há grupo inteligente se seus membros apenas imitam uns aos outros ou esperam que alguém lhes diga o que fazer. Quando um grupo se mostra inteligente, seja ele composto de formigas ou de advogados, é preciso que cada membro cumpra sua parte.
Vamos imaginar uma abelha movendo-se no interior da colméia. Se esta for atingida por um vento gelado, a abelha tremerá a fim de se aquecer e, com isso, ajudar a aquecer os filhotes ao seu lado. Ela não sabe que centenas de operárias em outras partes da colméia fazem a mesma coisa, naquele exato instante, em benefício da próxima geração. Uma abelha nunca tem idéia do todo, ela apenas age com base naquilo que está próximo a ela.
Em nossa comunidade, as pessoas podem não saber do que a sociedade como um todo necessita, mas se olharem ao seu redor não será difícil saber, haverá sempre um lixo a ser recolhido ou alguém a ser ajudado e, se essas coisas forem feitas, a sociedade se fortalecerá. Esse modelo de comportamento solidário em um mundo complexo é o mesmo adotado pelas abelhas.
Tais idéias ressaltam uma importante verdade a respeito da inteligência coletiva: as multidões tendem a ser sábias apenas quando seus membros individuais agem com responsabilidade e tomam suas próprias decisões. Não há grupo inteligente se seus membros apenas imitam uns aos outros ou esperam que alguém lhes diga o que fazer. Quando um grupo se mostra inteligente, seja ele composto de formigas ou de advogados, é preciso que cada membro cumpra sua parte. Para aqueles de nós que, às vezes, se perguntam se de fato vale a pena reciclar aquela garrafa para amenizar o impacto sobre o ambiente, o pressuposto básico é de que nossos atos fazem diferença, mesmo que isso não esteja tão claro para nós.
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